É comum escutar música quando se caminha pelas ruas de Trancoso nos dias do festival. Sons de violinos, flautas, de instrumentos de orquestra em geral, acompanham quem passa perto das escolas, misturando-se à paisagem da cidade.

Durante o Música em Trancoso, as atividades educativas do festival incluem visitas diárias de músicos às escolas da região, com o objetivo de aproximar crianças e adolescentes do universo da música.

Nesta edição de 2015, os músicos da Orquestra Experimental de Repertório de São Paulo (OER) têm se dividido em grupos para realizar encontros que acabam se transformando em experiências lúdicas e cheias de interatividade.

Na Escola Higina Cristo, uma sala com cerca de 40 crianças com idade média de 12 anos, virou uma espécie de teatro de arena durante o encontro com músicos que mostraram particularidades do violino, viola e violoncelo – ou seja, instrumentos que pertencem ao naipe de cordas da orquestra.

Além de tocar trechos de composições de Mozart, Boccherini, Beatles e Luiz Gonzaga, entre outros, os músicos deram explicações variadas – sobre os símbolos que compõem a partitura, sobre o arco usado pelo violinista para tocar as cordas, sobre os apoios exigidos pelos instrumentos (no ombro, pelo violino e viola, no chão e peito, no caso do violoncelo).

Alguns alunos eram convidados para experimentar e tirar sons dos instrumentos e, entre risos e olhares suspresos, alguns conseguiram produzirs sons melodiosos, percebendo que o temperamento de cada um pode influir em sonoridades mais lentas ou rápidas.

Claudio Micheletti, spalla da OER, que realizava a demonstração, se admirou com um garoto que pegou o violino da forma certa, sem nunca ter tido contato com o instrumento.

“Parece um pequeno detalhe, mas na prática demora um certo tempo para um estudante aprender a colocar corretamente o arco nas cordas”, disse. “São muito observadores”, acrescentou, referindo-se aos alunos.

Entre as crianças, o clima foi de festa. “Me faz feliz”, dizia Marcos William Menezes de Oliveira, de oito anos. “Me dá vontade de tocar também”, afirmava Júlia de Oliveira Paiva, sete anos, que revelou preferência especial pelo violino.

Amanda de Jesus Vaz, 27 anos, professora das turmas de 4º e 5º anos do curso fundamental da escola, observou:

“Estes encontros são importantes porque a música envolve, ativa a atenção e contribui para o desenvolvimento das crianças. Nos mostra inclusive o quanto seria importante se o governo investisse em projetos similares e permanentes nas escolas”.

Em outra escola de Trancoso, o Centro Educacional Zaidy Barreto, músicos do naipe de metais da OER participaram de encontro com alunos de faixa etária ainda menor.

Para cerca de 95 crianças entre quatro e seis anos de idade, todas muito animadas e interessadas, os músicos mostraram a diversidade de sons de quatro instrumentos de sopro – trompete, trompa, tuba e trombone de vara.

As explicações sobre a grande e pesada tuba encantaram as crianças, que aprenderam, por exemplo, que este instrumento pode emitir um som similar ao do navio e que o longo tubo que parece enrolado no interior do instrumento pode medir cerca de oito metros.

Outra demonstração que magnetizou as crianças foi a do trompetista, que mostrou as diferentes tonalidades sonoras que podem ser obtidas com surdinas de formas e tamanhos diversos, colocadas no bocal do instrumento.

Diante de tanta novidade, o pequeno Marco Antonio Garcia Andrade, de cinco anos, fez coro ao interesse e animação dos demais colegas e exclamou ao final:

“Quero aprender a tocar todos esses instrumentos”.

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