O concerto da quinta noite do Música em Trancoso foi dedicado à música de câmara. Os renomados solistas que frequentam o festival – como o flautista (e maestro) Benoît Fromanger e os violinistas Lorenz Nasturica Herschowici e Rüdiger Liebermann – estiveram no palco integrando formações camerísticas junto com outros destacados músicos e por vezes acompanhados de alunos selecionados nas masterclasses. O repertório foi essencialmente clássico.

Composições de Mozart, Beethoven, Weber, Brahms, Spohr, Strauss, pontuaram o programa e a plateia reagiu com entusiasmo. No entanto, o concerto parece ter marcado profundamente os convidados especiais da noite de quarta-feira: os cerca de 30 índios pataxós de Aldeia Velha, localizada em Arraial d’Ajuda, município de Porto Seguro (BA).

Apetxyenã, índio pataxó de 23 anos que, como os demais, compareceu com suas lindas vestimentas e pinturas corporais, declarou ao final que estava encantado com a beleza da música que acabara de ouvir.

“É a primeira vez que assisto a uma apresentação como esta. Não estou acostumado a sons como o do violino. Às vezes vejo coisas parecidas na televisão, mas esta oportunidade ao vivo foi muito importante para mim”, disse Apetxyenã.

O jovem índio demonstra curiosidade e inteligência quando fala. Na Aldeia Velha, ele frequenta a escola indígena, que ministra o ensino tradicional das escolas brasileiras e também o conhecimento indígena. Segundo Apetxyenã, o Patxohã é o idioma dos guerreiros pataxós e Awê é a dança que o povo pataxó pratica cotidianamente para manutenção e desenvolvimento da força espiritual. “É a dança de nossos ancestrais, aprendemos com nossos pais e avós”, acrescenta Apetxyenã, revelando o respeito que possui por sua herança cultural.

Pouco antes do início do concerto Música de Câmara, Apetxyenã e os demais índios pataxós dançaram por alguns minutos no gramado que cerca o Teatro L’Occitane – compondo o preâmbulo de um encontro sem fronteiras culturais.

A índia Arnã Pataxó, 35 anos e uma liderança na Aldeia Velha, também participou e emocionou-se com o concerto. Assim como Apetxyenã, foi a primeira fez que ela viu uma apresentação como a de música de câmara do festival. “Achei maravilhoso. É uma arte linda, diferente do que estamos acostumados, gostei muito da mistura de instrumentos. Assistir a esta apresentação foi uma experiência única para nós”, disse Arnã.

Acompanhando com respeito admirável o concerto Música de Câmara, os pataxós contribuíram para que a quinta noite do festival Música em Trancoso ganhasse um clima de ritual em torno da arte e da cultura.

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