Uma seleção impecável de músicas de Ary Barroso e Noel Rosa, em magníficos arranjos orquestrais de Cesar Camargo Mariano, interpretada por músicos extraordinários, entre os quais o próprio Cesar e sua banda, junto com mais nove representantes da nata da música clássica internacional, só poderia resultar em um espetáculo perfeito – daqueles que lavam a alma da plateia.

Nesta quinta edição, o festival Música em Trancoso mostrou mais uma vez que sua Jam Session, comandada anualmente por Cesar Camargo Mariano, é um programa único na cena internacional.

Ao reunir músicos brasileiros do universo popular com virtuosos da área clássica dispostos a se “aventurar” no repertório musical do Brasil, o espetáculo proporciona um banquete musical. Na plateia e também na expressão de cada músico no palco, é evidente o prazer que acaba envolvendo todos.

Embora não seja uma jam session no sentido literal (e isto é o que menos importa diante do espetáculo apresentado), o concerto concebido por Cesar é pontuado por solos fenomenais. Com a elegância e a generosidade de sempre, Cesar abre espaço para que todos os músicos exibam suas singulares habilidades.

O flautista e também regente de orquestra francês Benoît Fromanger, por exemplo, realizou solos de composições como Folhas Mortas e Na Batucada da Vida, ambas de Ary Barroso. Feitiço da Vila, de Noel Rosa, teve como solista o violinista romeno Lorenz Nasturica Herschowici. Outro notável do violino, o alemão Rüdiger Liebermann, que integra a Orquestra Filarmônica de Berlim, fez o solo de Feitio de Oração, também de Noel.

Sem exceção, todos os músicos estrangeiros pareciam estar adorando a experiência de tocar Noel e Ary Barroso (com alguns já assumindo o suingue brasileiro).

À performance dos estrangeiros somou-se também o notável desempenho da banda de Cesar Camargo Mariano, formada por solistas de primeira grandeza, como o trompetista Walmir Gil.

Nesta edição do Música em Trancoso, o tributo a Ary Barroso (1903-1964) e Noel Rosa (1910-1937), revela a profunda sensibilidade de Cesar Camargo Mariano em proporcionar contatos – diferenciados – com repertórios que compõem o patrimônio da música brasileira.

Personalidades distintas com igual vigor artístico, o mineiro Barroso e o carioca Noel foram compositores prolíferos, que transformaram em poesia as situações e emoções cotidianas.

Ambos foram intensos na quantidade de criações. Noel, por exemplo, compôs cerca de 200 músicas em sua curta vida de 27 anos. Atemporais, os dois ganharam uma homenagem memorável na Jam Session de 2015 do Música em Trancoso.

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