Sarah Nojosa Barboza tem 14 anos, mas quando toca violino aparenta mais maturidade, tal o seu empenho e seriedade.

Quem a ouve tocando também pode supor que ela já atua em alguma orquestra jovem mas, por enquanto, Sarah apenas estuda na Escola Municipal de Música de São Paulo. Esporadicamente, participa de concertos da Orquestra Experimental de Repertório e seus planos são ambiciosos: quer ser solista de violino e, para tanto, sua rotina inclui seis horas diárias de treino do instrumento.

Durante o festival Música em Trancoso 2015, Sarah é uma das atentas frequentadoras das masterclasses oferecidas pelo festival.

Nesta semana, após participar da masterclass do violinista alemão Rüdiger Liebermann, da Orquestra Filarmônica de Berlim, ela ressaltou a importância de tal atividade.

“Ele me deu toques importantes e isto é muito bom. É a primeira vez que venho ao festival Música em Trancoso e as masterclasses, aqui, nos proporcionam mais tempo com o professor”, comentou Sarah.

Na sala de aula, Liebermann esboçava um sorriso enquanto Sarah tocava um movimento do Concerto nº 9 de Charles de Beriot, que ela escolheu para apresentar na masterclass. Ao final, ouviu do professor um enfático “very nice” e ainda o comentário de que ela o havia impressionado.

Realizadas na área denominada Facilities, anexa ao Teatro L’Occitane, as masterclasses acontecem em salas confortáveis, com tratamento acústico.

Rüdiger Liebermann, um dos mais disputados mestres nas masterclasses do Música em Trancoso, acolhe os jovens músicos que o procuram com simpatia e simplicidade.

Na masterclass frequentada por Sarah, Liebermann comentou:

“Não estou aqui como um professor, mas como um músico experiente, que pode ajudá-los a rever hábitos, a observar detalhes que lhes permitirão tocar melhor”.

Para Liebermann, as masterclasses lhe oferecem a oportunidade de tornar os jovens músicos mais conscientes sobre como se posicionar ou assumir uma linguagem quando se apresentam.

“Não importa se estão tocando uma simples escala ou um obra-prima de Paganini. Às vezes, informações corretas e precisas podem mudar a vida de um jovem musicista, mesmo em um contato de pouco tempo, como a masterclass”, ele afirma.

Liebermann lembra o quanto foram importantes, para ele, as breves lições que obteve, muito tempo atrás, em uma masterclass com Nathan Milstein e Jascha Heifetz.

“Era outro nível técnico e musical, mas as pequenas e concentradas informações destes gigantes do violino foram de grande ajuda para mim. Como educador musical, estou convencido e consciente deste tipo de responsabilidade”.

Uma das frases que Liebermann costuma dizer para seus jovens pupilos é: “O segredo é tocar como se fosse fácil”. Ele explica:

“Tocar facilmente um instrumento como o violino requer muito controle e prática. Muitas vezes eu vejo – e ouço – muitos movimentos do arco e do corpo sendo realizados de forma completamente superficial e isto requer uma energia adicional que é contraprodutiva. Isto muitas vezes conduz a um resultado oposto daquele que o violinista gostaria de obter e revela problemas como: em vez de desenvolver-se num crescendo, o som torna-se frágil; o vibrato fica aumentado ou parado no meio da melodia; a troca de posições fica instável etc. O melhor caminho para ajudar, como professor, é eliminar todos esses movimentos e hábitos desnecessários, os quais, na realidade, estão escondendo problemas técnicos”.

Segundo Liebermann, o estudante terá resultados melhores e imediatos se tomar consciência de detalhes como estes.

“Trabalhando regularmente neste caminho, terá mais e mais a impressão de que está tocando o violino mais facilmente, o que lhe permitirá atingir uma expressão musical melhor”.

Sobre o ambicionado virtuosismo de todos os músicos, Liebermann ressalta: “Esta qualidade não significa somente ter dedos ligeiros ou habilidade nos movimentos de arco, mas também ser muito expressivo no fazer musical, no fraseado, e ainda na capacidade de acrescentar um colorido na interpretação”.

Na opinião de Liebermann, hoje há muitos jovens artistas, alguns bastante conhecidos, que possuem técnica maravilhosa.

“Porém, poucos deles são capazes de fazer o público se emocionar verdadeiramente”.

Aqueles que conseguem fazer com que a plateia sinta um ‘nó na garganta’ de emoção é que são os reais virtuosos, na opinião de Liebermann.

“Para provocar tal sentimento, você não precisa ter o melhor violino”, ensina o mestre para seus jovens alunos.“Acima de tudo, é a atitude interna de um músico que convence ou não. É isto o que significa música!”.

 

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