O cenário não poderia ser melhor. Na enluarada noite de sábado, sob as estrelas de um céu límpido, o festival Música em Trancoso inaugurou sua edição de 2015 no palco aberto do Teatro L’Occitane, com plateia lotada.

Em cena, a Orquestra Experiamental de Repertório, de São Paulo, apresentou o programa From America to France, sob regência do maestro francês Benoît Fromanger.

O repertório associou composições de George Gershwin (1898-1937) , um ícone da música norte-americana, a autores franceses igualmente emblemáticos. Além de Camille Saint-Saëns (1835-1921), Darius Milhaud (1892-1974) e Maurice Ravel (1875-1937), ao final o maestro Fromanger, bem-humorado e generoso, conduziu a orquestra em um número musical extra, o quarto movimento da Suíte L’Arlésienne, de George Bizet (1838-1875).

A magia do festival instalou-se já nesta noite de abertura, intensificando as expectativas sobre o que vem pela frente nos próximos dias.

No conjunto, tudo parece ter entrado em sintonia na primeira noite do Música em Trancoso

A Orquestra Experimental de Repertório, com seus jovens músicos brasileiros, mostrou seu potencial e talento. O maestro Benoît Fromanger, que já deixa evidente seu afeto pelo festival e pelo Brasil, regeu com desenvoltura e demonstrando sua disponibilidade para o intercâmbio e a comunicação com os artistas e a plateia.

Os solistas convidados foram simplesmente sublimes, cada qual dentro de sua experiência e especialidade. Rafael Gintoli, o violinista argentino que realizou os solos de Havanaise, de Saint-Saëns, e Tzigane, de Ravel, tocou seu instrumento com o domínio dos mestres.

Já Adrien Lierbermann, o saxofonista alemão de apenas 17 anos que fez o solo de Scaramouche, de Darius Milhaud, introduziu energia  jovial ao programa. Vale lembrar que Adrien vem de uma família de músicos: ele é filho do violinista Rüdiger Liebermann, que costuma abrilhantar o Música em Trancoso desde a primeira edição do festival.

Por sua vez, o pianista de origem polonesa Maciej Pikulski trouxe todo seu vigor musical ao solo que realizou de Rhapsodie in Blue, de Gershwin (do compositor norte-americano, o programa também contou com An American in Paris).

Implicitamente, as obras musicais apresentadas mostraram o diálogo musical de compositores que, de alguma forma, tiveram sintonias artísticas, seja pela época em que viveram ou pelas afinidades artísticas que cultivaram.

Tal encontro, no 4º festival Música em Trancoso, evidenciou o poder da música como elo que aproxima diferentes culturas e sensibilidades. Ao fim da noite de sábado, o clima de confraternização cultural reinava em todo o ambiente do Teatro L’Occitane.

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